Baldur's Gate 3 mudou a cabeça do criador de BioShock

Ken Levine diz que o jogo da Larian o fez perder o medo de criar conteúdo que os jogadores podem nunca ver. Tudo por causa de um cadáver encontrado numa segunda run.

Joana PiresJoana PiresVizinha do Pokémon GO··2 min
Baldur's Gate 3 mudou a cabeça do criador de BioShock
Baldur's Gate 3 mudou a cabeça do criador de BioShock

Ken Levine, o nome por trás de BioShock, anda há anos a trabalhar em Judas, um jogo que promete ser altamente reactivo às escolhas do jogador. E numa entrevista recente ao IGN, o criativo admitiu que foi Baldur's Gate 3 que lhe tirou de vez o medo de fazer conteúdo que parte da audiência pode nunca chegar a ver.

O momento que mudou tudo

Levine conta que estava numa segunda passagem por Baldur's Gate 3 quando uma personagem importante morreu logo no início, por causa de uma decisão diferente da run anterior. "Eu só sabia que era uma personagem principal por causa do meu playthrough anterior, fiz algo diferente, e ele desapareceu. Vi o corpo dele ali estendido."

Para quem vem de jogos como BioShock, onde as escolhas se resumiam normalmente a duas cutscenes alternativas no fim (o famoso dilema das Little Sisters), ver uma narrativa reagir desta forma teve peso. Levine diz que foi "tão poderoso" que a frustração de saber que muitos jogadores nunca vão tocar em determinado conteúdo passou a entusiasmo: "mal posso esperar que as pessoas percebam as coisas enormes que talvez não tenham encontrado".

O que isto diz sobre Judas

Judas está em desenvolvimento há cerca de uma década e a equipa de Levine tem repetido até à exaustão a expressão "narrative legos", a ideia de blocos de história que se podem recombinar consoante o que o jogador faz. A inspiração inicial, segundo o próprio, veio de uma versão mais reactiva da Elizabeth em BioShock Infinite, uma personagem que pudesse julgar a violência do jogador e simplesmente desistir dele.

Essa ambição obrigou a aceitar uma coisa que muitos designers ainda têm dificuldade em engolir: numa primeira passagem, o jogador vai perder montes de conteúdo. E está tudo bem.

"Por causa da experiência que tive com emergência e escolha do jogador, já não me parte o coração que as pessoas não vejam conteúdo do jogo, porque há algo de muito poderoso nisso", diz Levine, garantindo que Judas é "muito, muito, muito mais rejogável" do que tudo o que fez antes.

Larian a influenciar a velha guarda

O detalhe interessante é o de ver um designer com o peso de Levine a apontar para a Larian como referência moderna de narrativa reactiva. Baldur's Gate 3 já levou a casa GOTYs aos baldes em 2023 e continua a ser citado como vara de medir para RPGs com escolhas que importam de verdade. Quando o criador de BioShock muda de filosofia depois de jogar, é sinal de que a régua subiu para todos.

Joana Pires

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Joana Pires

Faz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.

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