NotíciaGod of War

David Jaffe acusa a PlayStation de afear as mulheres dos seus jogos

O criador do God of War original aponta o dedo aos designs femininos recentes da Sony, de Mary Jane a Jean Grey e à nova Laufey, e diz que o problema não é da Marvel.

Inês CostaInês CostaVizinha do Roblox & Minecraft··2 min
David Jaffe acusa a PlayStation de afear as mulheres dos seus jogos
David Jaffe acusa a PlayStation de afear as mulheres dos seus jogos

David Jaffe, o criador do God of War original, não engoliu a última State of Play. Depois dos anúncios de Marvel's Wolverine e God of War: Laufey, o veterano veio dizer que a PlayStation Studios está, de propósito, a tornar as personagens femininas menos atraentes do que poderiam ser.

De Mary Jane a Jean Grey

Jaffe recua a 2023, quando a Mary Jane de Marvel's Spider-Man 2 já tinha levantado discussão pela forma como o modelo digital se afastou da actriz real. Para ele, nas páginas da banda desenhada Mary Jane é uma modelo, "não foi pensada para ser uma pessoa normal", e o jogo amaciou isso.

A Jean Grey vista no trailer de Marvel's Wolverine, também da Insomniac, é o que faz Jaffe passar da suspeita para a acusação. O argumento dele é simples: a Marvel, em Marvel Rivals, Marvel Snap) e nos próprios comics, não tem qualquer pudor em mostrar versões sensuais ou sexualizadas das suas heroínas.

"Lamento, mas isto não é um problema da Marvel, a Marvel não tem problemas em sexualizar as mulheres quando faz sentido. Isto não é uma coisa da Marvel, é algo da Sony", atira Jaffe.

O caso Laufey

O terceiro exemplo é a Laufey do novo God of War, interpretada por Deborah Ann Woll. Jaffe compara as imagens da personagem no jogo com fotografias da actriz e diz que houve um esforço claro para a tornar menos bonita do que é na vida real.

O criador faz questão de sublinhar que não anda à procura de personagens sexualizadas a qualquer custo. Reconhece, aliás, que num The Last of Us ou num Days Gone esse realismo seco encaixa. O problema, para ele, é aplicar a mesma régua a um universo de fantasia nórdica.

"God of War não é Stellar Blade, não preciso que fique toda glamorosa", diz, antes de lembrar que Laufey é literalmente uma deusa e "certamente pode acordar da morte sem cara de manhã pesada".

Uma tendência ou três casos isolados

A tese de Jaffe é que, entre Mary Jane, Jean Grey e agora Laufey, já há padrão suficiente para falar de uma decisão editorial da Sony, e não de escolhas avulsas de cada estúdio. Reconhece que pode ser visão de realizador em cada caso, mas duvida que três jogos diferentes tenham chegado ao mesmo sítio por acaso.

Não há, claro, qualquer resposta oficial da PlayStation Studios sobre o assunto, e dificilmente haverá. Fica a discussão habitual à volta dos designs first party da Sony, agora com o God of War: Laufey a juntar lenha à fogueira até sabermos mais sobre o jogo.

Inês Costa

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