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Quantum of Solace na PS2: o Bond esquecido que copiou o Uncharted

Com o 007 First Light a chegar, vale a pena recuperar a versão PS2 de Quantum of Solace, feita pela Eurocom: um jogo de espionagem em terceira pessoa muito mais próximo do Uncharted do que do Call of Duty.

Joana PiresJoana PiresVizinha do Pokémon GO··2 min
Quantum of Solace na PS2: o Bond esquecido que copiou o Uncharted
Quantum of Solace na PS2: o Bond esquecido que copiou o Uncharted

Com o 007 First Light, da IO Interactive, mesmo à porta, há um Bond antigo que merece ser desenterrado: a versão PS2 de Quantum of Solace. Não, não é o shooter na primeira pessoa que a Treyarch fez para PS3 e Xbox 360 ao estilo Call of Duty. Estamos a falar da adaptação feita pela britânica Eurocom, que joga muito mais como o primeiro Uncharted: Drake's Fortune.

Um Bond em terceira pessoa, com cobertura e furtividade

Tal como a versão das consolas mais potentes, a campanha junta a história de Casino Royale com a de Quantum of Solace, num conjunto de missões que salta de país em país. A grande diferença está na execução: enquanto a versão PS3 é puro tiroteio, este Quantum of Solace da PS2 puxa para o lado do espião, com sistema de cobertura, flanqueamentos e ataques corpo a corpo silenciosos para limpar inimigos sem dar nas vistas.

Quando o tiroteio acontece, a Eurocom até dá espectáculo. As coberturas partem, há cenário a estilhaçar e somos obrigados a mexer constantemente. O problema são os controlos. A jogabilidade denuncia a época: o snap para a cobertura funciona, espreitar com o stick analógico também, mas a deadzone do DualShock 2 torna a pontaria irritante. Há um modo de mira fina no L3 que ajuda, mas não chega para esconder a idade do motor.

Apresentação acima da média para um jogo de 2008

O que ainda hoje impressiona é a parte técnica. Para um jogo de PS2 lançado em 2008, está perto do que se via na PS3 na altura, dentro das limitações de resolução. A Eurocom também conseguiu meter no pacote a cara e a voz de Daniel Craig, mais Judi Dench como M e outros actores da saga de cinema, o que dá ao jogo uma camada de produção que muitos adaptações de filmes da época nem sonhavam.

A campanha despacha-se em pouco mais de 90 minutos, o que em 2008, ao preço de novo, custava engolir. Hoje, em segunda mão, é outra conversa.

Vale a pena se aparecer numa caixa de saldos

A Eurocom ainda faria mais dois Bonds, o aceitável GoldenEye 007 Reloaded e o desastroso 007 Legends, antes de fechar portas em 2012. Curiosamente, a relação do estúdio com o agente vem de longe: um dos seus primeiros jogos foi uma adaptação em plataformas da série animada James Bond Jr. para a NES.

Se te cruzares com uma cópia desta versão PS2 numa feira de velharias ou num cesto de saldos da FNAC ou da Worten em segunda mão, vale a investida. Não chega ao patamar de Everything or Nothing, mas é provavelmente o Bond mais subvalorizado da geração; e, com o First Light a fazer as manchetes, é boa altura para recordar que houve uma altura em que a Eurocom fez um Uncharted disfarçado de 007 e quase ninguém reparou.

Joana Pires

Vizinho do bairro

Joana Pires

Faz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.

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