Valve defende caixas de CS2 com argumento "as pessoas gostam de surpresas"

Num processo judicial sobre as caixas de Counter-Strike 2, a Valve recorre à ideia de que a aleatoriedade é parte do apelo do produto para rejeitar a comparação com jogo de azar.

Joana PiresJoana PiresVizinha do Pokémon GO··1 min
Valve defende caixas de CS2 com argumento "as pessoas gostam de surpresas"
Valve defende caixas de CS2 com argumento "as pessoas gostam de surpresas"

A Valve voltou a tribunal por causa das caixas de Counter-Strike 2 e a linha de defesa é, no mínimo, curiosa: as pessoas gostam de surpresas. O argumento aparece na resposta da empresa a um processo que tenta enquadrar as cases do jogo como mecânica equivalente a jogo de azar.

O argumento da Valve

A tese da Valve, apresentada nos articulados do processo, assenta na ideia de que a aleatoriedade no desbloqueio de skins é parte do valor do produto, não um defeito escondido. Por outras palavras: quem compra uma chave para abrir uma caixa sabe que pode sair lixo ou pode sair uma faca de milhares de euros, e essa incerteza é precisamente o que se está a pagar. A empresa rejeita assim a comparação directa com slot machines, dizendo que o utilizador recebe sempre um item cosmético e não fica de mãos a abanar.

É uma defesa que a Valve já tinha usado em discussões públicas sobre loot boxes, mas vê-la repetida em tribunal coloca o tema noutro patamar. O resultado deste tipo de processos costuma depender muito da jurisdição e de como cada tribunal interpreta o conceito de aposta.

E em Portugal?

Por cá, as caixas de CS2 continuam a funcionar normalmente na Steam, ao contrário do que acontece em países como a Bélgica e os Países Baixos, onde a Valve teve de limitar ou desactivar a abertura de cases. A regulação portuguesa de jogo online, gerida pelo SRIJ, não classifica até hoje as loot boxes como jogo de fortuna ou azar, o que mantém o modelo intacto para os jogadores nacionais.

Qualquer mudança a nível europeu, sobretudo se vier por via do Digital Services Act ou de uma directiva específica sobre microtransacções, terá impacto directo. Para já, abrir caixas em Portugal continua a ser exactamente o que a Valve descreve: pagar para ter uma surpresa, na maioria das vezes desagradável.

Joana Pires

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Joana Pires

Faz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.

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