Valve defende caixas de CS2 com argumento "as pessoas gostam de surpresas"
Num processo judicial sobre as caixas de Counter-Strike 2, a Valve recorre à ideia de que a aleatoriedade é parte do apelo do produto para rejeitar a comparação com jogo de azar.

A Valve voltou a tribunal por causa das caixas de Counter-Strike 2 e a linha de defesa é, no mínimo, curiosa: as pessoas gostam de surpresas. O argumento aparece na resposta da empresa a um processo que tenta enquadrar as cases do jogo como mecânica equivalente a jogo de azar.
O argumento da Valve
A tese da Valve, apresentada nos articulados do processo, assenta na ideia de que a aleatoriedade no desbloqueio de skins é parte do valor do produto, não um defeito escondido. Por outras palavras: quem compra uma chave para abrir uma caixa sabe que pode sair lixo ou pode sair uma faca de milhares de euros, e essa incerteza é precisamente o que se está a pagar. A empresa rejeita assim a comparação directa com slot machines, dizendo que o utilizador recebe sempre um item cosmético e não fica de mãos a abanar.
É uma defesa que a Valve já tinha usado em discussões públicas sobre loot boxes, mas vê-la repetida em tribunal coloca o tema noutro patamar. O resultado deste tipo de processos costuma depender muito da jurisdição e de como cada tribunal interpreta o conceito de aposta.
E em Portugal?
Por cá, as caixas de CS2 continuam a funcionar normalmente na Steam, ao contrário do que acontece em países como a Bélgica e os Países Baixos, onde a Valve teve de limitar ou desactivar a abertura de cases. A regulação portuguesa de jogo online, gerida pelo SRIJ, não classifica até hoje as loot boxes como jogo de fortuna ou azar, o que mantém o modelo intacto para os jogadores nacionais.
Qualquer mudança a nível europeu, sobretudo se vier por via do Digital Services Act ou de uma directiva específica sobre microtransacções, terá impacto directo. Para já, abrir caixas em Portugal continua a ser exactamente o que a Valve descreve: pagar para ter uma surpresa, na maioria das vezes desagradável.
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Joana PiresFaz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.
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