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Diablo IV: engenheiro da Blizzard explica porque o crunch AAA persiste

Marcin Undak, lead engine engineer de Diablo IV, diz que nos grandes estúdios o crunch já não é sobrevivência: é cultura instalada.

Joana PiresJoana PiresVizinha do Pokémon GO··2 min
Diablo IV: engenheiro da Blizzard explica porque o crunch AAA persiste
Diablo IV: engenheiro da Blizzard explica porque o crunch AAA persiste

Marcin Undak, lead engine engineer de Diablo IV, voltou a pôr o dedo na ferida do crunch na indústria. Numa intervenção na Digital Dragons, o programador da Blizzard traçou uma linha clara entre o crunch indie e o crunch AAA, e a conclusão não favorece os grandes estúdios.

Indies fazem crunch para sobreviver

No caso dos estúdios pequenos, Undak admite que muitas vezes não há volta a dar. Orçamentos curtos, equipas reduzidas e um lançamento falhado que pode mandar a empresa toda para o caixote. Nesse cenário, fazer horas a mais é literalmente manter o projecto, e o ordenado, vivos.

Não é bonito, mas é a matemática do indie: ou se entrega, ou fecha-se a porta.

Nos AAA, a desculpa já não cola

O ângulo interessante começa quando Undak vira a lente para casa. Estúdios como a Blizzard têm orçamentos enormes, centenas de funcionários e recursos a sério. Não é falta de gente nem de dinheiro que obriga ao crunch.

Segundo Undak, o que mantém o crunch vivo nos grandes é a cultura. As horas extra a mais continuam a ser vistas como prova de empenho, em vez de sintoma de um problema de planeamento. Ou seja, fica quem fica até tarde, e isso normaliza-se.

A crítica encaixa no padrão que tem aparecido em lançamentos AAA dos últimos anos: prazos irrealistas, gestão a empurrar datas e equipas a pagar a factura com fins-de-semana queimados.

Sindicalização ganha terreno

O contexto não é por acaso. A onda de sindicalização nos estúdios ocidentais, incluindo dentro da própria Activision Blizzard, tem empurrado o tema para a mesa. Mais trabalhadores a exigir horários decentes e protecções contra burnout significa menos margem para gestões que tratam o crunch como ferramenta de produção.

Declarações como as de Undak, vindas de alguém em cargo técnico sénior, ajudam a desmontar o argumento de que nos AAA o crunch é inevitável.

Entretanto, Diablo IV continua disponível em PC (Battle.net e Steam), PS5, PS4, Xbox Series e Xbox One, com a expansão Lord of Hatred já lançada.

Joana Pires

Vizinho do bairro

Joana Pires

Faz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.

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