League of Legends recusa crossovers à Fortnite, explica a Riot
August Browning, designer-chefe do LoL, deixou claro numa transmissão que a Riot não quer skins de outras franquias no MOBA. O motivo é o tom.

A Riot Games continua a ser a estranha no meio do bairro. Enquanto Fortnite, Overwatch ou Call of Duty se atiram a colaborações com tudo o que mexe, do Goku à Ariana Grande, League of Legends mantém-se fechado nesse capítulo. E, segundo o designer-chefe do jogo, é uma decisão consciente.
O argumento de August Browning
A explicação veio numa transmissão em directo de August Browning, designer-chefe do LoL e funcionário da Riot desde 2012. A empresa, disse, "nunca esteve disposta" a entrar em crossovers tão agressivos como os da concorrência. O argumento é simples: assim que metes skins de personagens de outras franquias, o tom do jogo muda por completo.
Browning faz questão de dizer que não acha mal nos outros. É fixe jogar Overwatch com personagens de anime ou ídolos de K-pop, e é fixe ver o Goku a lutar contra o Peter Griffin no Fortnite. Só que, segundo ele, o League funciona de outra maneira: é uma franquia com tom sério e com uma narrativa própria que dificilmente encaixa um super-herói da Marvel ao lado da Ahri sem partir tudo.
Excepções pontuais e dia da mentira
Apesar da posição, a porta não está totalmente fechada. A Riot já fez algumas excepções, com regras claras:
- Colaboração com a Louis Vuitton, com um cosmético da Senna desenhado em parceria com a marca de moda.
- Em 2026, uma skin do Swain claramente inspirada no Coronel Sanders do KFC, sem ser parceria oficial.
- Liberdade total no 1 de Abril, em que a equipa se permite atirar-se a ideias mais absurdas.
A filosofia, segundo Browning, é usar este tipo de ferramentas de forma esporádica e só quando faz sentido para o universo de Runeterra.
Proteger a IP a pensar no que vem a seguir
Há ainda um segundo motivo, talvez mais importante a longo prazo: a Riot quer que League of Legends se aguente como franquia por si só. Encher o jogo de personagens emprestados da Marvel ou de outras propriedades desvalorizaria a IP da casa e limitaria o potencial de séries de televisão, jogos derivados ou outros produtos. Depois do efeito Arcane, faz sentido que a empresa esteja particularmente cuidadosa com a forma como Runeterra é apresentada lá fora.
E há um terceiro factor, mais simples: a comunidade. Uma parte considerável dos jogadores de LoL é bastante protectora do tom do jogo, e uma onda de skins crossover seria das decisões mais arriscadas que a Riot podia tomar agora. Por cá, basta olhar para a forma como os fóruns PT reagem a cada nova linha de skins premium para perceber que o terreno é minado.
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Joana PiresFaz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.
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