Valve terá ameaçado tirar Rainbow Six Siege da Steam em 24 horas
Documentos de um processo antitrust contra a Valve indicam que a empresa ameaçou remover todas as edições do Siege depois de descobrir um bundle mais barato na Uplay.

A imagem de Valve como menina dos olhos do PC gaming leva mais um piparote. Documentos revelados na fase de discovery de uma class action antitrust contra a empresa apontam que a Valve terá ameaçado remover por completo o Rainbow Six Siege da Steam depois de descobrir que a Ubisoft vendia um bundle mais barato na loja própria, a Uplay. O prazo para a Ubisoft resolver a situação? "End of day tomorrow", ou seja, 24 horas.
O que dizem os documentos
O caso assenta em emails internos da Valve que vieram à tona no processo. A acusação central é simples: a Valve não gosta que um jogo apareça mais barato fora da Steam, e quando isso acontece reage com força, mesmo contra publishers do tamanho da Ubisoft. No caso do Siege, o gatilho terá sido um pacote promocional exclusivo da Uplay com um preço abaixo do praticado na Steam.
A Ubisoft não é o único peso pesado citado. Em 2017, a Warner Bros. Interactive Entertainment terá visto as pré-compras de Middle-earth: Shadow of War serem retiradas da Steam por uma alegada equipa de business development da Valve, com o argumento de que o preço estava "significativamente mais alto" do que noutros retalhistas. O presidente da Warner na altura, David Haddad, terá pegado no telefone para tentar acalmar as águas.
A defesa: "não temos política nenhuma"
A funcionária da Valve referida nos documentos, Kassidy Gerber, negou em depoimento que a empresa tenha uma política formal sobre como os estúdios devem fixar preços noutras plataformas. A frase que ficou foi: "em geral, não sinto que tenhamos muitas políticas. Isso soa-me burocrático". Os advogados do lado dos queixosos contra-atacam com outra citação atribuída a Gerber, dirigida a um estúdio: "a política da Steam sempre foi exigir paridade material no que vendemos na Steam Store". Gerber respondeu que não se lembra de ter dito isso.
Seja política escrita ou prática informal, a queixa é a mesma que tem aparecido vinda sobretudo de estúdios indie: a Steam pode não ter regras públicas sobre paridade de preços, mas age como se as tivesse.
Porque é que isto importa para quem joga em PT
Se a tese da acusação vingar em tribunal, há duas consequências práticas. A primeira é que publishers podem passar a oferecer preços mais agressivos nas lojas próprias e em retalhistas portugueses como a FNAC, a Worten ou a PCDIGA, sem medo de represálias no maior balcão de vendas do PC. A segunda é mais directa: chaves CD-Key e bundles fora da Steam tendem a ficar mais atractivas. Por agora, fica o registo de mais um capítulo nesta disputa sobre quem manda mesmo no mercado de PC, com o Siege como peão improvável de uma jogada que se passou nos bastidores.
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Rita MarquesJoga LoL desde a Season 3 e escreve sobre esports há quase uma década. Vive em Lisboa, vê a LEC ao vivo sempre que pode e ainda acredita que o ADC é a posição mais difícil.
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