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Roblox sob fogo: queixa à FTC acusa plataforma de explorar crianças

Organizações de protecção infantil apresentaram uma nova queixa à Federal Trade Commission sobre as práticas de monetização do Roblox. Um estudo académico detectou padrões obscuros em 14 dos 15 jogos mais populares da plataforma.

Joana PiresJoana PiresVizinha do Pokémon GO··2 min
Roblox sob fogo: queixa à FTC acusa plataforma de explorar crianças
Roblox sob fogo: queixa à FTC acusa plataforma de explorar crianças

O Roblox voltou a estar no centro da discussão sobre monetização predatória dirigida a menores. As organizações Fairplay e o National Centre on Sexual Exploitation apresentaram uma queixa formal à Federal Trade Commission norte-americana, acusando a plataforma de práticas "injustas e enganadoras" e de um desenho focado em maximizar gastos por parte de crianças.

O que diz a queixa

A queixa foca-se naquilo a que chama design "engagement-maximising": sistemas pensados para empurrar compras, não para divertir. As organizações argumentam que a arquitectura de moedas do Roblox, com Robux convertidos em gemas que, por sua vez, compram itens ou classes, é demasiado complexa para crianças entenderem o custo real das coisas.

Um dos casos citados na queixa é o de uma rapariga de 10 anos que gastou mais de 7.000 dólares em dois meses, mesmo com os pais a tentar limitar as compras. Ashwin Verghese, da Fairplay, resume assim: "a plataforma está desenhada para tirar partido das necessidades de desenvolvimento dos miúdos e explorar as suas vulnerabilidades."

A Roblox Corporation respondeu dizendo que a plataforma foi "construída para diversão e ligação, não para engagement de curto prazo", e lembrou que tem "políticas claras" contra jogo a dinheiro real ou simulado.

O estudo que destrói o argumento da empresa

O timing não ajuda a Roblox. O estudo Misleading and Deceptive Monetisation in Roblox, liderado pelo professor Marcus Carter, analisou os 15 jogos mais jogados da plataforma e encontrou monetização enganadora em 14 deles. Entre as tácticas identificadas estão:

  • Visuais de "near miss" para fazer a vitória parecer iminente.
  • Contadores regressivos a fabricar urgência falsa.
  • Pop-ups com botões de compra a remover a fricção natural do jogo.
  • Múltiplas camadas de moeda virtual a esconder o preço real.

A equipa de Carter deu cartões de oferta de 20 dólares a um grupo de crianças; quase todas converteram o valor imediatamente em Robux. "Quase todos os miúdos com quem falámos já tinham sido burlados, e a maioria também já tinha burlado outra criança", afirmou o investigador.

Jogos como Steal a Brainrot e 99 Nights in the Forest, dois dos títulos mais populares entre os mais novos, usam mecânicas de auto reanimação pagas em Robux para empurrar compras dentro de partidas individuais, sem qualquer benefício permanente para o jogador.

Controlos parentais não chegam

O debate em torno da plataforma já não é sobre se os controlos parentais existem; existem, e a Roblox tem vindo a anunciar novas camadas de protecção por idade. O problema é estrutural. Drew Benvie, da Raise, defende que são precisas "mudanças legislativas em larga escala para lidar com funcionalidades viciantes ou problemáticas, não apenas o penso digital dos limites de idade."

Para os pais portugueses, fica o aviso óbvio: se o miúdo joga Roblox, vale a pena sentar ao lado dele uma tarde e perceber o que se passa nos menus de loja. Não é alarmismo; é literatura de utilizador.

Joana Pires

Vizinho do bairro

Joana Pires

Faz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.

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