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Tomodachi Life dá lições de vida ao The Sims 4

Tomodachi Life: Living the Dream mostra que personalidade, autonomia e customização não dependem de 100 DLC. E começa a fazer o The Sims 4 parecer um boneco de papel digital.

Joana PiresJoana PiresVizinha do Pokémon GO··2 min
Tomodachi Life dá lições de vida ao The Sims 4
Tomodachi Life dá lições de vida ao The Sims 4

Há uma ideia incómoda a circular na comunidade de life-sim: a Nintendo, com Tomodachi Life: Living the Dream, está a fazer melhor aquilo que a EA tenta há mais de uma década com o The Sims 4. Não em escala, nem em complexidade, mas naquilo que conta: dar vida às personagens.

Customização que humilha o The Sims 4

O ponto de partida é quase caricato. O The Sims 4 oferece 24 cores de cabelo. Tomodachi Life tem 100, aplicáveis a cabelo, pele e olhos. Há cor secundária para ombré ou madeixas, a franja estiliza-se em separado, e a pintura facial custom abre a porta a praticamente qualquer personagem que queiras recriar, do Hearthian de Outer Wilds à Princesa Bubblegum.

Depois há a Palette House, um edifício desbloqueável que funciona como um editor universal: roupa, casas, chão, papel de parede, brinquedos, decoração da ilha e até comida. É o equivalente ao criador de padrões do Animal Crossing: New Horizons, mas sem rédeas.

Personalidade que se vê, não que se lê

A grande diferença não está nos menus, está no comportamento. No The Sims 4, a personalidade vive em moodlets: ícones que te dizem que o Sim está chateado por ter falado com uma criança. No Tomodachi, se deres a um Mii o Little Quirk "scaredy cat", ele assusta-se, guincha, foge para casa e bate com a porta. Se odiar a comida que lhe deste, há uma cutscene da alma a sair do corpo.

Os Miis discutem, marcam encontros, ganham paixonetas, metem-se em triângulos amorosos e até têm sonhos que podes espreitar em pequenas cutscenes. No The Sims 4, mesmo com livre arbítrio no máximo, raramente vês dois Sims a passear juntos sem instrução. A autonomia que a série tinha no The Sims 2, com memórias e reacções a traições, foi-se diluindo até os Sims parecerem bonecos de papel digitais.

Ritmo lento e sem DLC a cada esquina

Outro detalhe que pesa: o ritmo. No The Sims 4, dois Sims conhecem-se, casam e têm bebé em menos de uma hora. Em Tomodachi Life, levar um casal de Miis do namoro ao casamento com filhos demora vários dias reais. Faz a chegada do bebé valer alguma coisa.

E há o elefante na sala: o The Sims 4 cresceu à conta de packs caros e, mais recentemente, de um esquema de mods pagos que caiu mal na comunidade. Tomodachi Life: Living the Dream chega como produto fechado, polido e sem bugs visíveis, à boa maneira do The Sims original de 2000.

O tal Sims killer

A comunidade life-sim anda há anos à espera do mítico Sims killer. O Life By You foi cancelado dias antes do early access. O InZoi mostrou-se bonito mas pouco cozinhado e cheio de IA generativa. O Paralives segue caminho próprio depois de mais um adiamento. Talvez a resposta não seja um clone do The Sims, e sim aceitar que um life-sim mais simples, mas vivo, chega para muita gente. Com Project Rene e Project X no horizonte, a EA tem aqui matéria para estudo.

Joana Pires

Vizinho do bairro

Joana Pires

Faz raids em Belém, Cascais e no Parque das Nações. Escreve guias de ataques, eventos e curiosidades, e sabe onde estão os melhores ginásios da Grande Lisboa.

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