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Valorant: Fnatic muda treinador e Paper Rex assusta Masters London

Semana cheia no Valorant competitivo: Fnatic contrata Engh, Riot divide palcos em Berlim, PROJECT V fecha portas e Paper Rex chega a Londres como favorito claro.

Eduardo AlmeidaEduardo AlmeidaEditor de FPS & Tácticos··4 min
Valorant: Fnatic muda treinador e Paper Rex assusta Masters London
Valorant: Fnatic muda treinador e Paper Rex assusta Masters London

Pouca acção dentro de servidor, muita acção fora dele. A última semana no Valorant competitivo trouxe mudanças de treinador na Fnatic, o fim de uma era na DACH, uma decisão polémica da Riot sobre os palcos em Berlim e a confirmação de que Paper Rex chega ao Masters London com chapa de favorito.

Engh assume a Fnatic em plena tempestade

A Fnatic anunciou Andrey "Engh" Sholokhov como novo head coach, duas semanas depois de despedir Milan "Milan" de Meij. Engh passou quase três anos na Karmine Corp antes de sair no meio de resultados fracos, e chega a uma equipa que falhou a qualificação para o segundo evento global do VCT em 2026, isto depois de segundos lugares em Masters Toronto e Champions Paris no ano passado.

O contexto não ajuda. A Fnatic competiu com o substituto Clément "CyvOph" Millard desde os Playoffs da Stage 1, e o regresso de Sylvain "Veqaj" Pattyn dá oito semanas para arrumar a casa antes da Stage 2. Pelo meio, o staff e a comunidade vieram a público pedir calma aos chamados "fãs", depois de uma onda de comentários tóxicos a seguir à eliminação no qualifier EMEA do Esports World Cup. No vídeo de apresentação, Engh disse que quer apoiar o IGL Jake "Boaster" Howlett sem mexer no sistema que ele já tem montado.

PROJECT V fecha porta na DACH

Má notícia para a cena alemã, austríaca e suíça: a PROJECT V anunciou que não vai continuar a operar ligas a partir de 2027, fechando quatro anos como torneio principal da sub-região DACH dentro dos Challengers EMEA. A organização também corria eventos Tier 3 mistos e a série Equal Esports Queens, focada em mulheres e géneros marginalizados.

No comunicado oficial, a PROJECT V justifica a saída com as mudanças que aí vêm no ecossistema, dizendo que já não vê o seu lugar no "novo capítulo". Todos os eventos previstos foram cancelados, com excepção da THE POKAL 2026, que vai servir de despedida conjunta. Vários nomes da cena, do caster Patrick "Akamask" Decker ao observer Timon "Timon" Praast, lembraram o papel da organização na formação de jogadores e talento de broadcast.

Riot divide palcos em Berlim e leva porrada

A partir da Stage 2, a Riot Games Arena em Berlim passa a operar em dual stage, com VCT EMEA e LEC a transmitir em simultâneo em palcos diferentes. A leitura positiva: finalmente há jogos de VCT EMEA ao fim de semana. A leitura negativa, e foi essa que pegou: a Stage 2 corre toda no "Studio Stage", sem público, até aos Playoffs. Só uma semana de Playoffs e a Final em Barcelona terão audiência ao vivo.

A reacção da comunidade foi imediata. O caster YuLi questionou como é que se cresce um esport a remover o público activamente, e o veterano Patryk "starxo" Kopczyński lembrou que parte do sonho de ser pro no Valorant é precisamente jogar em palco com milhares de pessoas. Com a viewership ocidental em queda e mudanças maiores no ecossistema marcadas para o próximo ano, a sensação geral é de que a Riot está a apertar onde já doía.

G2 ganha as Américas, mas dúvidas mantêm-se

Na Grande Final do VCT Americas Stage 1, a G2 Esports veio da Lower Bracket, ultrapassou a desvantagem de duplo ban de mapa e bateu a Leviatán por 3-2. É o quarto troféu regional da equipa, e volta a colocar a mesma pergunta de sempre: consegue a G2 traduzir o domínio nas Américas num primeiro título internacional? Em 2025 conseguiu o tri-campeonato regional mas falhou sempre perto da meta, e a contratação definitiva de Andrej "babybay" Francisty, na teoria o âncora emocional do plantel, ainda não destrancou a porta. Em Masters Santiago caiu nos Playoffs, e a final contra a Leviatán mostrou buracos no map pool, em particular Breeze, com Nathan "leaf" Orf longe dos melhores Phoenix do circuito.

Paper Rex chega a Londres como favorito quase isolado

Se há equipa a entrar no Masters London com etiqueta de favorita, é a Paper Rex. A organização do Sudeste Asiático fez uma corrida na Lower Bracket do VCT Pacific Stage 1, fechou três 3-0 seguidos, incluindo um sobre Global Esports (que a tinha mandado para baixo) e outro sobre FULL SENSE na Grande Final. O paralelo com 2024 é óbvio: foi com uma run de Lower Bracket parecida que a Paper Rex acabou por levantar o primeiro troféu internacional em Masters Toronto.

A leitura racional também aponta para lá. Map pool largo, jogadores em forma e domínio claro do Phoenix, o agente com a taxa de vitórias mais alta do meta actual. Os nerfs anunciados à Neon devem favorecer ainda mais a equipa, que nunca abraçou a agente no auge. Não admira que nomes como o Thinking Man's Valorant e o painel do Plat Chat estejam a colocar a Paper Rex num tier à parte, com os restantes candidatos a discutir o segundo lugar.

Eduardo Almeida

Vizinho do bairro

Eduardo Almeida

Antigo jogador semi-profissional de CS:GO. Hoje escreve sobre CS2, Valorant, Apex e R6 Siege. Tem opiniões fortes sobre crosshairs e ainda mais fortes sobre o estado da economia em CS2.

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